title the old operating theatre
 
 

Museum Guide in Portugese

 
 
O Museu da Antiga Sala de Cirurgia (The Old Operating Theatre Museum) tem o interior mais intrigante da Londres histórica – Está situado no sótão da Igreja de St Thomas, em Southwark, onde originalmente era o Hospital St. Thomas. Constituído pela sala de cirurgia mais antiga – de 1822 - a subsistir no país,  já era utilizada  antes do surgimento da anestesia e da cirurgia anti-séptica.  
 
 O Sótão das Ervas era usado pela farmácia do hospital para armazenar e secar as plantas usadas em compostos medicinais.   

Uma coleção fascinante de objetos revela os horrores da medicina antes da idade da ciência.  Inclui instrumentos para tratamento com ventosas,  sangrias, trepanação e partos. 

Coloca em evidência os cuidados com a saúde nos mosteiros medievais; a história  dos hospitais St.Thomas,  Guy,  o hospital infantil Evelina, a história de  Florence Nightligale;  e sobre enfermagem, medicina, herbiatria e fitoterapia.  

Os primórdios do Hospital St. Thomas. O Hospital St Thomas já era considerado  “antigo” em 1215 D.C .  Era uma ordem mista de monges e freiras Augustinos, dedicada a Thomas Becket.   Provia abrigo e tratamento para os pobres, os doentes e os sem-teto.  No  século XV  Richard Whittingon inaugurou uma enfermaria para mães solteiras.   A ordem monástica foi dissolvida durante a Reforma, mas em 1551 foi reestruturada e então dedicada a  Tomé , o Apostólo.

 

A reconstrução do Hospital e do Sótão das Ervas.   No final do século XVII, o hospital e a igreja foram em grande parte reconstruídos por Sir Robert Clayton, o então presidente do hospital e  antigo Lord Mayor de Londres. Ele empregou Thomas Cartwright como arquiteto. (Cartwright era mestre construtor  e pedreiro que trabalhava para Christopher Wren em St Mary-Le-Bow). 

A nova Igreja foi equipada com um sótão grande, construído na tradição de "celeiro com naves laterais". Existe muito pouca informação sobre o sótão, exceto que ele foi equipado com prateleiras  de madeira (para armazenamento), e foi  denominado  "o Sótão das Ervas” em 1821.

 

Flores secas de ópio foram encontrados nas vigas. É provável que o sótão tenha sido usado pelo farmacêutico residente do Hospital, para  secar e armazenar ervas medicinais.

A construção da sala de cirurgia  -  Em 1822,  parte do sótão de ervas foi transformado em uma sala cirúrgica, já que a ala feminina ficava adjacente ao sótão.

 

Anteriormente, as operações ocorriam na enfermaria. Janelas também foram adicionadas ao sótão naquela mesma época,  sugerindo que ele deixou de ter a função de armazenar para tornar-se um ambiente de trabalho ou mesmo uma ala de recuperação.  
 Em 1859, Florence Nightingale se envolveu com o Hospital 

St. Thomas, criando naquele local sua famosa escola de enfermagem. 

 

Foi baseado em seus  conselhos que o hospital concordou em  mudar-se dali, quando a Companhia Ferroviária Charing Cross se ofereceu para  comprar aqueles terrenos . Em 1862, o hospital iniciou sua mudança para o endereço atual  em Lambeth e a sala de operações foi fechada. Ela ficou esquecida até 1957. Quem eram os pacientes? Eram principalmente as pessoas pobres,  que contribuiam para o seu tratamento, somente se pudessem pagar. 

Pacientes ricos eram tratados e operados em casa ao invés de no hospital. Os pacientes da antiga Sala de Cirurgia eram todos mulheres. Quem visita o museu fica aliviado ao saber que as pacientes não tinham que subir a ingreme escada em espiral!   Elas vinham da ala feminina que ficava onde agora é a escada de incêndio. 

 

Operações na Sala de Cirurgia - Até 1847, os cirurgiões não tinham  acesso a anestésicos e utilizavam técnicas rápidas (eram capazes de  realizar uma amputação em um minuto ou menos), com a preparação mental do paciente e o uso do álcool ou opiáceos para lhes entorpecer os sentidos.  Posteriormente  éter e clorofórmio começaram a ser utilizados. 

A Sala de Operação foi fechada  antes do desenvolvimento da cirurgia antisseptica.  A maioria dos casos era de amputações ou dores superficiais já que, sem antissepsia, era muito perigoso fazer operações internas. Uma descrição de alunos amontoando-se na sala  para assistir a um procedimento foi deixada por um cirurgião do St. Thomas, Dr.  John Flint Sul. As duas primeiras  filas eram ocupadas por outros assistentes.   Atrás ficavam os alunos, apertados como arenques em um barril, mas não tão silenciosos. Os alunos das fileiras de trás colocavam extrema pressão nos da frente, que lutavam para libertar-se daquele incômodo, e não raro saiam  de la exaustos. 

 

Havia também um chamado contínuo  de "cabeças, cabeças" para aqueles que estavam trabalhando, porque suas cabeças interferiam com a visão dos que assistiam.  Pacientes aceitavam que plateias assistissem seu sofrimento  porque eram tratados por alguns dos melhores cirurgiões na terra, que de outra forma não poderiam pagar. Pacientes ricos preferiam ser operados em suas próprias casas,   provavelmente na mesa da cozinha. 

O risco de morte nas mãos de um cirurgião era muito grande devido a falta de compreensão das causas de infecção. Embora a limpeza fosse uma virtude moral, descrições sugerem que um cirurgião poderia lavar as mãos tanto antes quanto depois da operação.  Os aventais antigos, usados pelos cirurgiões durante as operações eram, de acordo com um contemporâneo, "duros e com o mau cheiro de pus e sangue '. 

 

Debaixo da mesa havia uma caixa de serragem para a coleta de sangue. A taxa de mortalidade era ainda agravada pelo choque da operação, e porque as operações só eram realizadas como último recurso, quando os pacientes tinham poucas reservas de força. 

O Museu da Antiga Sala de Cirurgia fica na Rua St. Thomas.

Patricia Mendonca Rati.
Renata Mendonca Myers.


The Old Operating Theatre,
Museum and Herb Garret
9A, St. Thomas' Street, London SE1 9RY

Tel: 0044 (0) 20 7188 2679
Fax: 0044 (0) 20 7378 8383
Email: curator @thegarret.org.uk
Website: http://www.thegarret.org.uk